Viver Telheiras

A minha Horta em Telheiras

Histórias do Parque Hortícola / Novembro 5, 2013

Quando ouvi falar pela primeira vez de hortas urbanas interessei-me pelo projecto e li bastante sobre o que se estava a fazer em Portugal e no estrangeiro. Tentou-me sobretudo a possibilidade de produzir e saber que o que comia era saudável. Mas era também o “bichinho” que me tinha ficado da minha infância. Embora a actividade da familia não fosse ligada à agricultura, o facto de vivermos no concelho mais pequeno e mais pobre do país, em que toda a gente tinha a sua leira de terra e a agricultura de substistência era a regra, transformou o nosso quintal numa horta em que as couves, as batatas, as alfaces e outros vegetais cresciam e as galinhas, os patos, os perús e dois porcos iam engordando à espera de chegarem à nossa mesa.

Assim, quando tive a possibilidade de concorrer ao Parque Hortícola de Telheiras não perdi a oportunidade e em boa hora o fiz: consegui um dos três talhões disponíveis de 120 metros.

Cedo me apercebi que a tarefa era àrdua, quiçá demais para um trabalhador solitário e assim pedi ajuda a duas beirãs como eu, a Ermelinda (cujo conhecimento foi uma ajuda essencial) e a Teresa que foram de facto a alma da horta. Dois meses a cavar retirando da terra as ervas daninhas e o entulho imenso, resultado do abandono destes terrenos ao longo dos anos.

Decidimos cultivar a horta segundo os princípios da agricultura biológica (obrigatório no projecto da CML) e da permacultura o que, se implicou um grande trabalho inicial, nos poupa neste momento – e nos vai poupar ao longo dos anos – muitas horas de trabalho.

Feitas as sementeiras, o trabalho das regas diárias, o acompanhamento das culturas e sobretudo a calma necessária da espera pelo crescimento foram momentos interessantes para quem no dia a dia corria atrás do “é agora já “ consumista.

E a partir daí foi comer à fartazana a produção que, nalguns casos, como por exemplo os tomates, chegou a mais de 5 quilos por dia.

Desta experiência resultaram para mim várias constatações importantes e bastante interessantes que passo a enumerar:

O sabor dos vegetais produzidos não tem nada a ver com os que compramos nos supermercados: dos tomates às curgettes, dos rabanetes às acelgas, passando pelas beringelas, alfaces ou os tomatilhos mexicanos, e ainda o jardim de cheiros com múltiplas espécies de mangericão e hortelã, coentros, salsa,etc., etc.

Em casa passámos a comer de forma mais saudável pois aumentámos em mais de 100% o consumo de vegetais, cozidos, em saladas e em sopas.

Mas talvez o maior impacto destas hortas tenha sido a dimensão social e humana. Durante estes 10 meses, as relações entre os hortelãos, as entreajudas, as trocas de sementes, plantas e produções, a transmissão do saber de cada um em benefício de todos, enfim o restabelecimento da relação de vizinhança, tão útil e tão tradicional dos campos portugueses, foram uma surpresa e um incentivo para continuar quando o trabalho era muito e o cansaço desanimava.

E como nem só de trabalho vive o Homem, o lúdico também aconteceu por aqui: o jantar comemorativo do Equinócio do Outono foi bem prova disso.

Porém esta recuperação das relações não se ficou pelos hortelãos. As hortas transformaram-se num ponto de interesse do bairro, local de passagem e de passeio dos seus habitantes. Daí resultou uma interação entre os hortelãos e as pessoas que passam e comentam, perguntam e sobretudo nos cumprimentam quando passam. As gentes do bairro interessam-se e as crianças percebem que os vegetais não nascem no supermercado.

Francisco Oliveira, Parque Hortícola de Telheiras

Histórias do Parque Hortícola / Novembro 5, 2013

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