Viver Telheiras

Cheirar o mundo

Cães, gatos e outros factos / Junho 2, 2013

Tendo-me sido dada a oportunidade de expor o que me vai na cabeça, gostaria muito de vos dar a conhecer o que vou estudando sobre animais, nomeadamente sobre o cão – essa espécie espectacular que nos acompanha ao longo de séculos e que agora nos conquista no seio do nosso lar.

Enquanto que o ser humano percebe o mundo maioritariamente pela visão, o cão cheira o mundo que o rodeia. O nosso nariz tem células olfactivas que abrangem cerca de 6 milhões de pontos receptores sensoriais, os cães pastores têm mais de 200 milhões e alguns cães de caça como os Beagles têm mais de 300! Assim, o que por vezes parece ser teimosia de um cão que não nos presta atenção, pode apenas ser um cão inundado por uma quantidade inimaginável de cheiros imperceptíveis por nós.

Quantas vezes nos deparamos com aquela situação típica de levar o cão à rua para fazer necessidades e o cão, ao que parece ser uma eternidade, fica a cheirar cada milímetro de relva, onde vai todo o santo dia. Enquanto que para nós aquele pedaço de relva é apenas isso, relva: verde, toda igual e desinteressante, para o cão é algo tão cheio de novidades e informação como o mural do facebook acabadinho de actualizar por centenas de amigos. Ao cheirar tudo o que foi deixado na relva por outros cães, ele consegue saber todos os que passaram por ali, há quanto tempo e conhecer o seu perfil completo (idade, sexo, disposição)!

Cheirar o mundo é, assim, qualquer coisa mágica, mostra-nos não só o que está a acontecer mas também o que aconteceu no passado. Além disso, é sentir o mundo como algo fluido, levado ao sabor do vento ao contrário do mundo estático que a visão nos apresenta. Não admira a dificuldade que sentimos em manter o cão ao nosso lado durante um passeio: enquanto que nós podemos estar parados a perceber o mundo, eles têm que o perseguir! Já pensaram? Puxar a trela e não deixar que o cão siga um cheiro interessante, deve ser tão frustrante como tapar os olhos a alguém que está a tentar ver uma cena interessante do outro lado da rua.

Formei-me em psicologia porque senti que, mais importante do que conhecer o mundo, é conhecer aquele que vê o mundo. Cada um de nós tem motivações diferentes, formas de pensar distintas e interpretações únicas do mundo. Fico estupefacta pela quantidade de coisas que assumimos sobre os outros, e ainda mais quando assumimos como igual a nós uma espécie tão distinta da nossa como a do cão. Claro que eles nos olham nos olhos com aquele ar doce, nos dão tanto mimo e parecem intuir a nossa vontade. Mas tratar esta espécie simpatiquíssima como se da nossa se tratasse só nos fará desrespeitar as suas necessidades e menosprezar as suas capacidades excepcionais.

Durante muitos anos (demasiados) o ser humano tem vindo a estudar e qualificar a inteligência animal com base na sua semelhança a nós. Ora, esta base comparativa não poderia ser mais injusta. Um cão não se reconhece pela sua imagem no espelho mas tenho a certeza que se me testarem eu não saberei reconhecer-me pelo cheiro. Cada espécie tem a uma forma distinta de reconhecer e interagir com o meio. Quando olhar nos olhos do seu cão não tente que ele seja humano e entenda o mundo à sua semelhança mas antes, aperceba-se da imensidão de coisas que pode vir a descobrir sobre ele. É lindíssimo trocar de pele com este ser espantoso e “olhar” o mundo de forma tão diferente que parecerá outro, nunca antes visto.

Margarida Meira

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Cães, gatos e outros factos / Junho 2, 2013

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