Viver Telheiras

Ciclovias analisadas

O Ciclista Urbano / Julho 9, 2013

As ciclovias são polémicas.

Esta é a minha visão sobre as ciclovias. Há muito estudos e opiniões melhor formadas, conhecimentos académicos, etc. Está é apenas a minha humilde opinião, depois de experimentar, mas também depois de me informar, em alguns dos tais estudos e opiniões.

Normalmente, para quem não anda de bicicleta, são uma grande medida que cria todas as condições para andar de bicicleta.

Para quem anda de carro são uma maravilha já que retira estes “veículos lentos” da frente dos automóveis. Há alguns que pensam que, em mobilidade, só o que for gasto em prol do automóvel é que é bem gasto.

Para quem anda a pé, há um misto de sentimentos.

Por um lado retira-lhes mais um pedaço do pouco espaço que têm e obriga-os a conviver com este tipo de “veículos rápidos e perigosos”, pondo em risco a integridade física, sobretudo em jovens (irrequietos) e idosos, estes com menor agilidade para fugir das bicicletas.

Por outro lado, as ciclovias, são pistas óptimas para caminhar, empurrar os carrinhos de bebés e de compras, etc, etc.

E os ciclistas, o que pensam das ciclovias?

Aqui é que a polémica é grande. Há de tudo. Em geral, os principiantes adoram-nas, pois com elas atrevem-se a pedalar pelas ruas onde elas existem, onde antes nem pensar!!

As famílias adoram-nas. Podem levar os mais pequenos a passear e o piso/pista é propícia para aprender.

Depois há os ciclistas de ocasião, BTTistas a caminho do Monsanto, etc, que usam a ciclovia porque ela segue exactamente o seu trajecto e assim “escusam de se chatear com o trânsito”.

Ora, o problema das ciclovias é que elas induzem uma falsa segurança e falsa separação do trânsito. Sobretudo as ciclovias bi-direccionais, opção única ou quase, em Portugal e feita sempre em jeito de remendo, já que as urbes onde são implementadas já se encontram praticamente construídas, sendo por isso difícil a coexistência.

Há imensos estudos sobre isto. Refiro aqui um, do Mário Alves, especialista nessa “estranha” área da Mobilidade.

Os mais informados e que realmente usam a bicicleta para se moverem eficazmente pelas cidades, apercebem-se com facilidade dos perigos que se correm quando se usam as ciclovias portuguesas.

Ficam alguns exemplos:

  • Perigo de colisão com peões. Os peões usam as ciclovias. Por vezes por falta de espaço pedonal suficiente, outras por comodidade, mas é um facto que as ciclovias estão cheias de peões. Alguns são crianças e aí o perigo aumenta, pois mesmo não estando em cima da ciclovia, podem rapidamente mudar de trajectória. Também há o perigo dos animais, que mesmo com trela podem ser imprevisíveis.
  • Atravessamentos/passadeiras. Em cada cruzamento ou entroncamento temos que atravessar a estrada. Aqui reside o maior risco/perigo e alguns inconvenientes. Os inconvenientes são vários. Desde a perda de prioridade para os automóveis, passando pelo tempo de espera em caso de semáforos (que nestas ruas secundárias estão mais tempo fechados do que os das vias principais), passando pela necessidade de subir e descer o lancil do passeio, muitas vezes com altura desadequada para quem circula de bicicleta, etc, etc. O risco é a colisão!!! Por exemplo, quem circula de automóvel, quando entra numa rua perpendicular nunca conta com um ciclista, sobretudo quando este circula no passeio ao seu lado, mas também com ele se aproxima do cruzamento, vindo do passeio da direcção contrária. Como uma imagem vale mil palavras, roubei esta ao artigo do Mário Alves:
Ciclovias_cruzamentos_perigosos
  • Quando a ciclovia não nos leva ao destino/ transição para a estrada. Seguir numa ciclovia bi-direccional e no lado errado do sentido normal é por vezes um quebra cabeças deixo os ciclistas com verdadeiros desafios de conseguirem voltar a “entrar nos eixos” dos sentidos normais do tráfego.
  • Voltinhas e obstáculos. As ciclovias em Portugal são feitas por cima do que já está feito. Encontrar um caminho e o espaço que elas exigem nas nossas ruas não é fácil, admito. Roubar espaço/fluidez aos automóveis requere muita coragem política e raramente é feito.

O que resulta é o que temos. A ciclovia vai aqui, mas ali à frente passar para o outro lado da rua, dá uma curvinha ali e interrompe N vezes acolá. No campo dos obstáculos temos os famosos pilaretes, sinais de trânsito, etc, etc. Juntando os peões “invasores”, circular com algum ritmo nunca ciclovia exige tanta ou mais atenção do que fazer um single track rápido no BTT. Sim, porque andar de bicicleta não é só passear e style-over-speed!

 

A minha experiência

Morei numa zona de Lisboa bastante bem servida de ciclovias.

A minha prática actual em zonas servidas por ciclovias resulta da experiência que fui adquirindo ao longo do tempo, passando por esses locais. No início ia pelas ciclovias (trajectória a verde).

Deixo aqui dois exemplos referentes a duas zonas por onde costumava passar todos os dias. No 1º exemplo, Largo da Luz, caso circulasse pela ciclovia, by-the-book, teria que fazer 6! atravessamentos, numa zona em que circulando junto com o trânsito demoro cerca de 30 a 90 segundos a atravessar, dependendo dos semáforos da via principal, sempre mais favoráveis do que os das vias secundárias.

(Carreguem nas imagens para ampliar)

Ciclovias LargoLuz

(Largo da Luz, Carnide)

Ciclovias AvColegioMilitar

(Av. Colégio Militar, Benfica)

Legenda:

  • A vermelho estão sinalizadas as ciclovias (os mapas ainda não as incluem).
  • A verde, a trajectória do ciclista caso use a ciclovia.
  • A amarelo a trajectória do ciclista circulando da forma mais prática (e segura).
  • A azul, em elipses, as zonas de atravessamento, com todos os risco e inconvenientes referidos anteriormente.

Volto a afirmar, não sou especialista na matéria. Sou apenas um cidadão do mundo das ciclovias!

César Marques

O Ciclista Urbano / Julho 9, 2013
  • João Caxias Silva

    A minha opinião de forma simples é que embora as ciclovias possam ser úteis, o que a autarquia fez nalgumas ruas de 4 faixas de rodagem para automóveis, transportes públicos etc, transformando-as em 2 faixas (uma em cada sentido), com a correspondente redução da mobilidade e destruição de obra já feita, gastando ainda mais dinheiro na construção da ciclovia, para um país que não nada em dinheiro, é inqualificável e só se justifica com a impunidade de quem gasta os recursos públicos sem racionalidade e de forma interesseira a pensar na imagem política.

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