Viver Telheiras

Desistir/Despedir – O adeus convicto a um 2015 tramado

Isto é o da Joana / Dezembro 3, 2015

Foi uma boa luta, Cosmos.

Disseram-me que desistir e despedir são palavras tão diferentes. Queriam que eu acreditasse que despedir é aceitar, numa visão pro-ativa daquilo que não se pôde evitar e que não pede outra alternativa. Ao desistir chamaram-lhe conformista, conformado e displicente.

Não posso concordar.

Não tenho em mim vontade suficiente para concordar com despedidas. Não sou capaz de as compreender no seu carácter finito e de me deixar ficar a ver a vida ir embora sem mim. Não sei ver onde é que as despedidas são aceitações porque raramente considero que sejam decisões seguras e definitivas se não forem escolhidas por mim. As despedidas não têm retorno. É possível viver com essa convicção passiva?

Desistir pressupõe que se lutou. É a garantia da força usada em prol daquilo que o coração me pediu que fizesse. É o fim depois de não se ter mais nada a adicionar. Não é uma perda, é uma inevitabilidade cuja escolha depende inteiramente de mim. Não é aceitar, não. É um beco sem saída, mais revoltado sim, menos sereno também. Mas é a confirmação de que o mundo não foi aquilo que ele decidiu ser para mim e que eu contrariei-o até não ter mais por que ficar.

Não estou disposta a despedir-me de nada sem antes ter arregaçado as mangas. Se desistir, será uma despedida resolvida, em que eu participei e sobre a qual quis ter uma opinião. E que me importa se pelo caminho me cansei tanto…!

Dizer adeus quando alguém embarca numa viagem onde não caibo, onde não fiz por estar, é só deixar ir. Não é aceitar, não é concordar, não é ser pro-ativo, não é escolher bem e em consciência. É capacitar-se. E isso é muito mais conformista do que encolher os ombros depois de se ter feito tudo o que se podia.

Por isso, prefiro desistir do que despedir-me. Prefiro não ter mais sítio onde voltar do que aceitar que não terei onde chegar. Prefiro aceitar uma derrota dolorosa mas cujos contornos conheço do que acenar a algo que me ficará pendente no coração. E, quando eu for, eu vou sem olhar para trás.

Por isso, desculpa se não sei despedir-me de ti, 2015. Foi uma boa luta. Mas é tempo de desistir e seguir em frente com o coração aninhado no peito.

 

Joana Martins é especialista em redes sociais e multimédia e vive em Telheiras desde que se lembra. Fala muito e escreve menos do que gostaria. Mas em tudo o que escreve há-de haver sempre um denominador comum: as pessoas.

Isto é o da Joana / Dezembro 3, 2015

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