Viver Telheiras

O César e as biclas

O Ciclista Urbano / Maio 15, 2013

César Marques, 41 anos, morador de Telheiras desde 2000, é adepto fervoroso do uso da bicicleta como meio de transporte, dada a sua simplicidade e potencial, quer no dia a dia, quer como catalisador de mudança no estilo de vida.

Profissional na área das Tecnologias de Informação, é também empreendedor na área do ciclismo urbano. Actualmente vive em Bruxelas.

 

Como começou a tua ligação às bicicletas? Já andavas em criança?

A minha ligação começou bem cedo e tem uma história associada. O meu pai prometeu que me dava uma bicicleta quando começasse a tomar banho de chuveiro e não de imersão. Assim, aos 3 anos e tal tive a minha primeira bicicleta e antes dos 4 anos já pedalava sem rodinhas.

Durante a minha adolescência andava de bicicleta livremente pelas ruas, sobretudo no verão, que era passado a pedalar, quer nas voltas just-for-fun com os amigos, quer como meio de transporte para os afazeres da altura, como ir para a praia, ir jogar aquele jogo de futebol com o bairro rival, etc.

Hoje, apercebo-me melhor ainda da importância da bicicleta nessa altura, pois permitiu-me uma mobilidade que hoje faria inveja a muitos miúdos.

 

E nunca deixaste de andar, ou a bicicleta foi uma redescoberta em adulto?

No final da adolescência ainda andei muito de bicicleta na Aroeira, onde os meus pais tinham uma casa de férias, mas depois disso deixei as bicicletas enferrujarem como tantos outros portugueses.

Reencontrei-me com a bicicleta mais tarde, na prática de BTT na Serra de Sintra, lá para 1992, uns anos antes da febre do BTT ter chegado em grande.

Como meio de transporte, só mesmo em 2007, altura em que comecei a utilizar uma bicicleta de BTT para fazer algumas deslocações por Lisboa, tipo Telheiras > Campo Pequeno, etc.

 

E o resto da família, os amigos e os colegas de trabalho, também andam ou acham-te um “bicho estranho”?

Na minha família nuclear, sempre se deu bastante importância à actividade física e andávamos muito a pé, portanto a bicicleta como meio de transporte surgiu com naturalidade.

Com o tempo começámos a integrar a bicicleta cada vez mais nas nossas vidas e a alterar o nosso próprio estilo de vida, quer em família, quer individualmente (algo bastante comum a quem escolhe a bicicleta para o seu dia a dia). A minha mulher acabou por aderir em força e já há vários anos que faz mais de 80% das suas deslocações de bicicleta, quer faça chuva quer faça sol, algo que me deixava com alguma inveja, já que não o podia fazer com tanta frequência por trabalhar fora de Lisboa.

No trabalho, comecei a fazer activismo para ter melhores condições para quem queria ir de bicicleta. Consegui que um lugar de estacionamento na garagem fosse convertido para lugar de bicicletas e cheguei a ver 3 bicicletas nesse parque. É pouco, mas se pensarmos que é no Tagus Park, que fica no meio de nenhures…

César Bicla

A tua ligação à bicicleta vai para além de utilização a nível pessoal, certo? Faz também parte da tua vida cívica e profissional…

Sim. Cedo conheci a Massa Crítica e uma série de pessoas bastante interessantes que me abriram a cabeça para o tema da mobilidade e a sua importância na vida das pessoas, algo que não me tinha sequer passado pela cabeça até então. Vive-se muito formatado para o carro e é complicado ver o outro lado quando se nasce, cresce (e engorda) dentro do carro uma vida inteira.

Da Massa Crítica à MUBi (Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta) foi um saltinho. Esta associação, muito jovem, é quem mais tem contribuído para a divulgação e promoção da bicicleta como meio de transporte e tenho muito orgulho de fazer parte da mesma, embora ultimamente não esteja envolvido em nenhum projecto devido a ter investido todo o meu tempo noutros projectos de cariz voluntário e não só, um deles na mesma área, a Velo Culture, no Anjos, que é uma loja de bicicletas e estilo de vida.

A Velo Culture surge, mais uma vez, da paixão por este tema, a mobilidade de bicicleta, aliada ao lado empreendedor que sempre tive. Sempre “vendi” esta opção através de um blog pessoal e, mais tarde, no Facebook e algum activismo. Há uma ano decidi abrir a loja com um amigo, e vizinho de Telheiras, e a partir daí comecei a vender o pacote completo. Não tenho dúvida que as lojas induzem consumo e como este consumo é benéfico para todos (cerca de 80% dos nossos clientes usam a bicicleta como meio de transporte), juntou-se o útil ao agradável.

 

Telheiras e bicicletas: como vês esta ligação?

Telheiras é um bairro com muita pedalada, no panorama nacional. Há muitos moradores que já optaram por este meio de transporte, mas continua a ter carros e trânsito a mais. Servido por ciclovias, algumas de utilidade nula, é certo, e por ruas bastante largas, permite uma boa experiência para os ciclistas, quer na circulação no bairro quer para ligações com os bairros vizinhos.

Também se nota o resultado de algumas campanhas em prol do uso da bicicleta, feitas por alguns moradores, como aconteceu na Iniciativa de Transição de Telheiras e na ART, através de palestras, cicloficinas, mentoring a iniciantes e outras mais lúdicas como passeios.

Tenho a certeza que este novo projecto, o CCT, vai contribuir para que Telheiras seja um sucesso ainda maior no panorama nacional.

César Marques

O Ciclista Urbano / Maio 15, 2013

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