Viver Telheiras

Perfeito em casa, na rua um desastre!

Cães, gatos e outros factos / Outubro 17, 2013

Todos adoramos ver os cães a correr no jardim e brincar com outros cães. Como donos, sentimos que os cães merecem o melhor passeio que lhes possamos dar. Mas à medida que certos hábitos se vão estabelecendo, como comer restos de comida no chão, fugir, ou não se deixar apanhar, começamos a ficar frustrados pela falta de obediência e perdemos a confiança em deixar o cão solto.

Um exemplo que me ocorre para explicar porque os cães são tão diferentes em casa do que são na rua é fazer uma apresentação em público. Em casa sei o texto de cor, consigo argumentar e sinto-me confiante quando falo sobre o tema. Contudo, em palco, perante alguém a avaliar, parece que perco a simples capacidade de construir frases, surgem sentimentos como vergonha e não me recordo com tanta facilidade. À primeira vista, o comportamento exigido para as duas situações é exactamente o mesmo. As palavras que têm que sair da minha boca são as mesmas que treinei vezes sem conta. Contudo, surgem sentimentos, atitudes e pensamentos novos quando me encontro perante o público. É por isso que existem cursos e técnicas para aprender a falar em público. É natural assumir que embora consiga fazer uma apresentação em casa, esta não é a única competência exigida para fazer uma apresentação em público.

Com o cão é igual. O comportamento que queremos do cão na rua é exactamente o mesmo que temos em casa: vir quando chamado. Mas para o cão na rua, tal como para nós em público, existem muitos factores que influenciam o seu comportamento que não existem quando está em casa. São esses factores que devem ser inseridos num treino estruturado e coerente para que seja possível ao cão aprender a vir quando é chamado na rua.

Resumidamente, o treino deve ser feito passo a passo, aumentando a distância a que conseguimos chamar o cão sem distracções e aumentando o número e tipo de distracções (relva, pessoas, cães ao longe, cães perto, comida no chão, etc.). Só tornamos o treino mais exigente à medida que o cão é bem sucedido em cada etapa. Por exemplo, começo por pedir ao cão para vir ter comigo à distância de uma trela normal, depois com uma trela extensível, e só depois estando ele solto. Sempre que o cão supera cada uma destas etapas deve ser recompensado pelo sucesso. Desta forma estamos a construir um hábito positivo e uma comunicação clara sobre o que é pretendido que o cão faça.

Adicionalmente, existem algumas curiosidades sobre o comportamento dos cães que podem melhorar a nossa eficácia no treino da chamada.

Em pequeno ele nunca se afastava.

Por vezes parece que os cães se tornam mais desobedientes à medida que crescem mas é porque os cachorros têm um instinto de seguimento muitíssimo forte, ou seja, precisam sempre de saber onde está o dono, mas à medida que vão crescendo, vão conhecendo as redondezas e ganhando confiança em si. Assim, embora possam reconhecer o dono como o responsável, já não têm medo de o seguir à distância. Desta forma é importantíssimo ensinar os cães, desde pequenos, a vir à chamada.

Para onde estou virado?

Algo que os difere de nós, é que a forma como os cães seguem o dono tem a ver com a direcção que este toma. Eles seguem a direcção para onde a nossa face está virada. Se o cão está a ir para longe e eu me virar para a direcção oposta e correr é provável que ele venha entusiasmado para o novo caminho que eu decidi ir explorar com ele. Contudo se eu quiser que ele venha na minha direcção e caminhar de frente para ele, estou a enviar uma mensagem contraditória – a minha face está virada para o lado oposto de onde quero que o cão vá.

Significado relativo das palavras

Os cães não sabem o significado fixo das palavras que dizemos. E, segundo sei, não têm um padrão de valores sobre o que é certo ou errado. Têm instinto e vontade próprios e são inteligentes ao ponto de associar determinados contextos e comportamentos a consequências positivas ou negativas.

Assim, os cães aprendem o significado das palavras consoante o contexto em que elas são usadas e consoante as consequências que delas derivam. Se eu disser “aqui” e colocar a trela no cão, independentemente do que ele está a fazer, o cão começa a evitar ser apanhado quando ouve o “aqui” pois o novo significado de “aqui” é “acabou a brincadeira” ou “vais ficar de trela”. Estamos na realidade a treinar o cão a fugir.

Uma forma de começar a treinar é chamá-lo algumas vezes antes do fim do passeio, premiá-lo por ter feito o correcto e deixá-lo ir brincar de novo. Assim, ele ganha confiança e percebe que vir quando é chamado é apenas uma oportunidade de receber festas e estar com o dono. Numa última vez, pode pôr-lhe a trela e ir com mais confiança e tranquilidade para casa.

Margarida Meira

Cães, gatos e outros factos / Outubro 17, 2013

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