Viver Telheiras

A instituição escolar e a busca da normalidade

Esboços da Educação / Julho 4, 2013

“ADHD is not a matter of misdiagnosis or over diagnosis, it is a total one hundred percent fraud!”, Fred Baughman

*PHDA – Perturbação da Hiperactividade e Defice de Atenção

Sem a instituição Escola não há PHDA. Parece-me óbvio que a PHDA é um prolongamento da Escola na normalização das populações escolares. A Escola é o grande normalizador, basta ver as suas ferramentas básicas: classificações, notas, recompensas dos professores, castigos, pressão dos pares, organização das turmas por anos de nascimento, aulas de cinquenta minutos, controlo absoluto da hierarquia sobre o aluno, etc. O que é um facto é que apesar da Escola há evoluções culturais nas populações humanas. Essas evoluções implicam um controlo cada vez mais difícil da população escolar. Parece-me que a PHDA é uma ferramenta de controlo que se estende à vida das suas vítimas para fora da Escola. Medicando todos os que são acusados de PHDA eu consigo evitar olhar para o terrível falhanço que a Escola tem sido. Como diz Peter Breggin “Nós drogamos as crianças que assinalam a necessidade de reforma, e forçamos todas as crianças com a conformidade do nosso sistema burocrático” (Breggin, Peter;, 2002).

O facto que toda a gente tem a ganhar com a existência da PHDA não pode passar despercebido: os professores ganham uma maneira de controlar as crianças mais activas; as escolas ganham uma população escolar mais manejável, fundos para resolver este novo problema e mais uma ferramenta para ajudar à normalização; os psiquiatras e médicos ganham um fornecimento constante de pacientes frescos; as farmacêuticas ganham uma quantidade crescente de consumidores e os publicitários ganham muito trabalho.

A única pessoa que não ganha é a criança que se vê drogada e estigmatizada por uma doença que, digo, não existe.

Pessoas que conheço e que recomendam o uso da Ritalina e similares, não são completamente desprovidas nem têm nada a ganhar com isso. No entanto acreditam na existência da PHDA e que medicamentos estimulantes psicoactivos podem ajudar crianças com 5 e 6 anos de idade. Também não digo que a comunidade psiquiátrica criou a PHDA apenas por lucro. Creio ser claro que quem se dedica à psiquiatria acredita nela e quem se dedica à Escola acredita na Escola. O problema é que uma doença como a PHDA é criada por medida para servir os interesses da instituição Escola.

A evolução do conceito de PHDA é típica da corrida para a frente daqueles que vêm o erro que estão a cometer e preferem continuar esperando que algo no futuro o justifique. Quando na Convenção de 1998 os melhores profissionais, especialistas numa doença com cinquenta anos – duzentos segundo eles – não conseguem chegar a um acordo em nada que tenha a ver com a doença, excepto a sua existência, isso mostra o estado não só dessa doença (fictícia) como também de toda a psiquiatria. Em todos os anos em que milhões de crianças foram tratadas por milhares de profissionais a doença não se definiu. Pelo caminho ficam vidas destroçadas, mentes estilhaçada e uma série de corpos vítimas de uma guerra que ninguém sabe que está a acontecer. A Escola como instituição já tem problemas de sobra. A introdução desta doença é elevá-los a outra dimensão: já não basta cumprir academicamente, se o meu comportamento não for o adequado há profissionais bem-intencionados que me podem forçar a tomar drogas.

Uma entidade ameaçada defende-se com mais violência quanto mais ameaçada estiver. A Escola como existe está condenada e tem que mudar. A PHDA é uma das últimas defesas dessa Escola moribunda.

Maria Miguens
APAS – Associação Pedagógica Aurum Solar

(fotografia de capa: www.clinicadaeducacao.com)

Esboços da Educação / Julho 4, 2013

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