Viver Telheiras

Tipo César Millan, mas ao contrário

Cães, gatos e outros factos / Março 2, 2016

O conceito de ensinar um cão com recompensa versus castigo é bastante conhecido. É intuitivo, se o cão é recompensado por fazer algo, esperamos que perceba que é para fazê-lo, e se o cão é castigado por fazer outra coisa espera-se que não volte a fazê-lo.

Mas sabendo que, a maioria das vezes que pensamos em “treinar” o nosso cão, estamos na realidade a querer eliminar determinados comportamentos, este conceito é tremendamente redutor. Aprender (e neste caso desaprender) é um processo e não uma transformação que aconteça numa nova e única associação entre comportamento e consequência.

Vi muitos episódios do Dog Whisperer, a série americana com o treinador César Millan. No episódio típico o treinador começa por conversar com os donos para compreender a situação, para de seguida pôr a “fera” em cheque assim que a conhece. Imagine que os donos dizem algo como “Ele morde-me sempre que eu pego na esfregona.” Então o que é que o treinador vai fazer? Pegar na esfregona e ficar à espera que o cão o tente morder. Quando morder (note-se que não é uma surpresa, foi isso que os donos disseram que ia acontecer) o cão é castigado. É mais ou menos como alguém decidir nas minhas costas que eu devo fazer dieta, pôr um bolo delicioso à minha frente e dar-me uma bofetada por pegar num pedaço.

É verdade que é lógico, o que se pretende é dizer ao cão que não deve morder quando vê a esfregona. Para lhe dizer que não o deve fazer (leia-se castigar), o cão tem que, primeiro, fazer o comportamento errado. É o método que mais existe no treino canino – incitar o cão a falhar redondamente. Não lhe parece injusto?

Há outra abordagem, oposta a esta. Em vez de criarmos um contexto em que sabemos que o cão vai fazer o errado, criamos um contexto em que tenha tendência para fazer o certo, promovendo comportamentos alternativos ao que queremos eliminar.

Voltando ao exemplo de cima. O que é que existe no mundo que pode fazer com que um cão não queira morder uma esfregona? Comida! Se atirarmos bocadinhos de comida para o chão enquanto o cão vê a esfregona estamos a criar um contexto em que o cão consegue ver a esfregona sem nos desatar a morder, pois está entretido com a comida.

“Mas o cão só não está a morder porque há comida no chão!” Certo. Neste caso a comida não é propriamente uma recompensa, e é por isso que pensar só em recompensa versus castigo é insuficiente. O objectivo é que, à medida que o cão estiver várias vezes no cenário que geralmente o estimulava a morder, se aperceba que ficou igualmente bem sem ter mordido, e aprenda que não é preciso morder para ficar satisfeito, seguro, ou o que quer que fosse que o fazia morder (Não esquecendo a importância de avaliar o que leva o cão a morder!).

Convém ir evoluindo a dificuldade apontando sempre para o sucesso em cada etapa, até chegarmos ao ponto de o cão se comportar 100% como queríamos. Há pequenas coisas que podem promover esta evolução. No exemplo da esfregona, vamos aumentando: o tempo em que utilizamos a esfregona, a velocidade a que ela se mexe e a proximidade da esfregona ao cão. Inversamente, vamos diminuindo: a quantidade da comida que damos ao cão, o valor dessa comida (desde salsicha à ração) e vamos diminuindo também o nível de contenção do cão, começando, por exemplo, com o cão numa outra divisão mas com vista para a esfregona, depois tê-lo mais perto com uma trela pelo chão, até termos o cão solto ao pé da esfregona. Os cães são todos diferentes mas estes factores servem para a maioria.

É muito eficaz treinar os cães desta forma, contudo não nos é intuitivo. Se há algum comportamento que quer que o seu cão pare de fazer, enumere comportamentos alternativos que ele pode fazer em vez desse. Depois, faça uma lista das coisas que podem incentivá-lo a comportar-se adequadamente e ordene-as por nível de dificuldade, como no exemplo em cima. Finalmente, treine o seu cão em cenários de nível mais fácil até ao mais difícil.

Bom trabalho!

Nota:
Existem vários treinadores que trabalham desta forma – progressiva e positiva. Mas a Emily Larlham, da Dogmantics, foi quem mais me inspirou a treinar de forma a que o cão seja bem-sucedido ao longo do treino. Deixo o link do site para quem quiser explorar: http://dogmantics.com/

Além da Trela

Além da Trela tem como missão promover uma relação excelente entre donos e os seus cães, com base na confiança, respeito e alegria, através de técnicas positivas de aprendizagem.

Cães, gatos e outros factos / Março 2, 2016

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