Viver Telheiras

Treino, para que te quero? (1ª parte)

Cães, gatos e outros factos / Julho 15, 2015

Bem vistas as coisas, quando treinamos um cão não estamos mesmo a ensiná-lo a sentar, a deitar ou a permanecer quieto. Ora bem, o cão tem que saber fazer estas coisas por si próprio. Aquilo que se está realmente a ensinar é:

  1. Associar um som (“Aqui!”) ao comportamento. (Saber)
  2. Corresponder com o comportamento. (Fazer)

Parecendo tão simples, falhamos redondamente neste processo de ensino. Saltamos permanentemente o primeiro passo e exigimos que o nosso cão corresponda a pedidos que ele ainda não associa a comportamentos. Para saber como um cão aprende a associar determinado comportamento a um som ou gesto nosso é preciso ter em conta vários factores sobre psicologia e comportamento canino. Tive o prazer de escrever sobre alguns destes factores em crónicas passadas e deixo o convite para lê-las se quiser. Sobre treinar a chamada leia aqui; sobre treinar a andar de trela leia aqui e sobre treinar em contextos stressantes leia aqui.

Passando para o segundo passo. Porque é que um cão treinado, que já corresponde aos pedidos em casa, não o faz quando está na rua?
Vamos mudar de perspectiva. Porque é que ele há-de corresponder? Parece uma pergunta tonta, mas tem resposta imediata?

Porque é que um cão irá decidir vir ter comigo quando está entretido com outros no jardim? Possíveis respostas:

1. Porque sou eu que mando. Esta ideia é-nos muito familiar, mas na prática o que é que significa? Como é que passamos desta premissa para uma aprendizagem da parte do cão? São inúmeras vezes que eu oiço descrições de situações complicadas com cães que foram resolvidas quando alguém “os dominou”, “lhe mostrou quem mandava”, “fez-se ao respeito”… Analisando na prática, o que aconteceu foi que alguém ameaçou, intimidou ou castigou os cães até eles pararem o comportamento. A aprendizagem que há aqui é: Esta pessoa é perigosa quando eu faço determinado comportamento. É uma aprendizagem que só funciona se o cão sente que pode estar em perigo. Felizmente, a maioria de nós não tem intenções ou aptidões para amedrontar os seus cães.

2. Porque tem que ser. | Porque eu quero. É menos intuitivo mas é verdadeiro. Somos nós os responsáveis por estes seres adoráveis mas ignorantes relativamente aos perigos e condições que existem no meio que os rodeia. Se um cão não vem quando eu o chamo, pode ser atropelado numa estrada, pode derrubar uma criança ou eu posso-me atrasar para algo importante que tenho que fazer de seguida. Mas estas premissas são ainda mais difíceis de passar para a prática. Não tenho dúvidas que o meu sobrinho de dois anos gosta muito de mim, mas se eu lhe disser que ele tem que fazer algo “porque eu quero” é muito pouco provável que isso contribua para mudar alguma coisa. Naturalmente, com a minha cadela é ainda menos provável.

3. Porque gosta de o fazer. Jackpot!

 

Continua…

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Além da Trela tem como missão promover uma relação excelente entre donos e os seus cães, com base na confiança, respeito e alegria, através de técnicas positivas de aprendizagem.

Cães, gatos e outros factos / Julho 15, 2015

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