Cinemas Alvaláxia – Perguntas frequentes sobre a situação atual
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Nota prévia: este texto foi preparado por residentes do Lumiar, com base nas notícias publicadas ao longo de 2026 e nas diligências efetuadas no sentido de se compreender qual seria o futuro do recinto de cinema do Alvaláxia.
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1. Porque é que o cinema do Alvaláxia fechou no início de 2026?
Em agosto de 2025, e depois de proposta votada pelos sócios, o Sporting readquiriu o Alvaláxia. Na sequência da compra, o Sporting não renovou o contrato com a NOS, que era responsável pela exibição de cinema, e as 12 salas de cinema encerraram.
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2. Os cinemas não vão voltar?
Ainda não sabemos.
A legislação protege a oferta de exibição de cinema, e por isso a demolição de recintos de cinema ou afetação a outra atividade diferente de cinema tem de ser autorizada pela ministra da Cultura.
Até ao momento, não foi feito nenhum pedido de autorização por parte do Sporting, e por isso ainda não há decisão.
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3. Mas já houve obras nos cinemas do Alvaláxia?
Sim, houve intervenções em 2 das 12 salas, que lhes terão reduzido a lotação, com a instalação de estruturas metálicas, mas mantendo-se a capacidade de projeção audiovisual. O resultado das intervenções pode ser visto num vídeo que o próprio Sporting publicou recentemente, disponível AQUI.
Entretanto foram distribuídos mesas, sofás e cadeiras (podendo estes equipamentos não estar fixos), em pelo menos uma destas 2 salas intervencionadas. As restantes 10 salas estarão sem cadeiras nem, ao que tudo indica, capacidade de projeção audiovisual.
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4. Então isso significa que já não há nada a fazer e que as salas desapareceram?
Não.
O Sporting esclareceu que as 2 salas mantêm capacidade de projeção audiovisual. Nas restantes 10 salas manteve-se o “esqueleto” da sala.
Se algumas das salas se mantiverem afetas a cinema, será preciso reinstalar as cadeiras, e a exibidora provavelmente levará o seu equipamento de projeção, “ressuscitando” assim o cinema no Alvaláxia. Mas não houve nenhuma intervenção no recinto que torne irreversível a perda dos cinemas.
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5. O que é que o Sporting pretende fazer naquele espaço?
O que se sabe é que o centro comercial vai ter o novo museu do Sporting, isso foi votado e aprovado pelos sócios sob proposta da direção.
No início de 2026, o Sporting falou de criar uma experiência imersiva no piso dos cinemas, sem exibição de cinema. De acordo com notícias recentes, as 2 salas que sofreram intervenções serão para “transmissão de jogos ao vivo, conteúdos do Museu e oferta cultural mais vasta”.
As outras 10 salas estão “em fase projeto”, sem que o Sporting tenha concretizado qual o projeto, pelo que não é garantido que o Sporting vai propor uma solução sem qualquer exibição de cinema.
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6. Quais os seguintes passos em relação a este tema?
Provavelmente, assim que o Sporting tiver definido o que vai fazer no recinto de cinema do Alvaláxia, o processo vai ter a seguinte sequência:
a) O Sporting envia o pedido de autorização à ministra da Cultura, que pode ser para a desafetação de todas as 12 salas ou de algumas das 12 salas.
b) É pedido parecer a um conjunto de entidades, nomeadamente à Câmara de Lisboa.
c) A Inspeção-Geral das Atividades Culturais (IGAC), que está na dependência do ministério da Cultura, faz depois um relatório que envia à ministra da Cultura.
d) A ministra pronuncia-se sobre o pedido de autorização de desafetação.
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7. O Sporting não devia ter o direito de fazer o que entende com um espaço que agora é seu?
A legislação portuguesa protege a oferta de cinema. Um proprietário não pode simplesmente comprar um recinto de cinema e demoli-lo, ignorando o impacto que tem para a comunidade local e para o setor. Nem em Portugal, nem na maioria dos países da União Europeia.
Quando a direção do Sporting propôs a recompra do Alvaláxia em 2024, o Decreto-Lei n.o 23/2014, que tem a regra da autorização, existia há uma década.
Esta legislação até tinha sido aplicada em 2024, meses antes da proposta de recompra do Alvaláxia, com a rejeição da desafetação das salas do Monumental. O ministro da Cultura de então deixou claro que “as salas de cinema são um bem escasso, que cumpre uma importante função cultural”. Isto foi amplamente noticiado na altura.
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8. A ministra da Cultura tem dedicado atenção ao tema do encerramento de salas de cinema?
Sim. Em novembro de 2025, o ministério da Cultura criou um grupo de trabalho dedicado ao encerramento de salas de cinema, que produziu um relatório no final de março de 2026.
Em junho, foi publicada uma nova portaria que aumenta a exigência e o escrutínio das decisões de desafetação de salas de cinema.
Recentemente, a ministra da Cultura disse inclusive que “desafetar uma sala de cinema não é o mesmo que desafetar uma loja de sapatos”, numa alusão à importância da proteção da oferta de cinema em Portugal.
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9. Mas e se o Sporting mantiver uma vertente cultural no recinto, sem cinemas?
A legislação é clara, e fala da “demolição de recintos de cinema ou a sua afetação a atividade de natureza diferente”. Por exemplo:
· Uma tela que mostra em 3D os golos do GOAT CR7 ao serviço do Sporting na época 2002/2003, no âmbito de uma visita ao Museu ⟶ pode ser cultura, mas não é cinema.
· Uma tela que mostra o filme GOAT: o maior de todos, que encheu o Cineconchas neste Verão e que divertiu centenas de famílias ⟶ é cultura e é cinema.
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10. Os cinemas Alvaláxia tinham procura?
Mesmo no pior ano (exceto pandemia) de vendas, o recinto de cinema do Alvaláxia vendeu mais de 1 em cada 13 bilhetes de cinema em Lisboa. E mais de 1 em cada 65 bilhetes de cinema em Portugal.
No melhor ano de sempre, o Museu Cosme Damião do Benfica vendeu 160 mil bilhetes. O recinto de cinema do Alvaláxia vendeu mais de 170 mil bilhetes no pior ano (exceto pandemia; fonte: ICA, Dados por exibidor, 2004-2026).
Até o próprio Sporting costumava incluir uma ida ao cinema Alvaláxia nas suas
atividades de Verão para crianças!
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11. O que fizeram as associações de residentes de Telheiras (ART) e do Alto do Lumiar (ARAL) quando souberam do encerramento dos cinemas?
Poucos dias depois do encerramento, a Associação de Residentes de Telheiras (ART) e a Associação de Residentes do Alto do Lumiar (ARAL) reagiram ao fim da exibição de cinema na freguesia mais populosa de Lisboa e enviaram um requerimento à IGAC.
Neste documento, chamavam a atenção de que estes eram os únicos cinemas no Lumiar, que serviam também a freguesia de Santa Clara, e que até a exibidora NOS disse que gostava de ter mantido estas salas.
Se voltarmos a ter cinema no Alvaláxia, podemos dever isso em grande parte a estas associações de moradores.
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12. Estas associações de residentes querem impor a continuidade das 12 salas?
Não. O que pretendem é que continue a existir exibição regular de cinema, num espaço que demonstrava ter procura significativa para algumas salas de cinema. Ninguém está a reivindicar a continuidade das 12 salas.
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13. Quais os principais argumentos para que não se deixe o cinema do Alvaláxia desaparecer na sua totalidade?
- O Alvaláxia vendia mais de 170 mil bilhetes por ano, não estava ao abandono.
- Quando um recinto de cinema destes desaparece, uma fatia significativa das vendas desaparece também. Mantendo tudo o resto constante, um Alvaláxia sem cinema “custa” provavelmente dezenas de milhares de bilhetes de cinema por ano ao setor.
- Os 10 filmes com maior bilheteira do ano costumam representar cerca de um terço de toda a bilheteira. Ou seja, manter algumas das 12 salas no Alvaláxia garantiria a venda de cerca de 50 mil bilhetes de cinema, só com a exibição dos 10 filmes mais vistos.
- A Câmara de Lisboa tem vindo a defender a ideia da “Lisboa dos 15 minutos”, de proximidade de diversos serviços, nomeadamente culturais / cinema. Aceitar o fim dos cinemas no Alvaláxia iria totalmente contra este princípio.
- Portugal perdeu 20% das suas salas entre 2024 e 2026, algo quase sem paralelo na União Europeia, e já tinha menor densidade de ecrãs do que Espanha, Itália, Alemanha, Reino Unido ou França. A zona Norte de Lisboa sempre contribuiu para o dinamismo do setor do cinema com as idas às
salas do Alvaláxia.
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14. E as alternativas do Colombo e do Campo Pequeno, não são práticas?
Com a nova Linha Circular do Metro a caminho, a facilidade de apanhar o metro na Ameixoeira, nas Conchas ou no Lumiar e seguir viagem direta para o cinema do Campo Pequeno vai dar lugar ao transbordo obrigatório no Campo Grande.
O projeto Benfica District, já aprovado pelos sócios do clube, prevê uma arena multiusos para 10.000 pessoas. Isto vai provavelmente tornar acessos e estacionamento no Colombo mais difíceis, em 60 a 90 dias por ano.
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15. A Câmara de Lisboa ou a Junta de Freguesia do Lumiar já se pronunciaram sobre este tema?
Ambas manifestaram já posições favoráveis à existência de cinema no Alvaláxia.
Em setembro de 2025, a Câmara Municipal referiu que levaria o contributo “de manter, obviamente, pelo menos, alguma parte dos cinemas daquela zona que, como disse, há muito poucos cinemas nesta zona”.
A Junta de Freguesia do Lumiar sublinhou também “a enorme escassez de oferta cultural e de cinemas, por maioria de razão”, no Lumiar, e reconheceu a importância deste equipamento (cinema) para a freguesia.
A Câmara Municipal de Lisboa vai ter de dar parecer não vinculativo sobre o pedido de desafetação que o Sporting fizer.















